Arquivo de Setembro, 2007

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Rumi

Setembro 28, 2007

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Soube há muito pouco tempo, que o ano de 2007 foi declarado pela UNESCO “Ano Internacional de Rumi”. Não fazia disso a mínima ideia e, sem qualquer sobranceria, calculo que a maior parte dos que lerem este post também não o saberiam. Felizmente, o país por excelência da iniciativa privada, tem uma rádio pública que coloca à disposição de todos, gratuitamente, uma quantidade verdadeiramente importante de informação sobre as mais variadas áreas, não com objectivos de grande erudição, mas de divulgação eficaz. A partir de aqui, é só começar a navegar, a ler, a ver e, claro, a ouvir; há horas de programas aos quais aceder em streaming, descarregar em Mp3, ou subscrever em podcast.

E foi no site do programa “Speaking of Faith”, um dos muitos que se podem visitar a partir do “portal” da “American Public Media” que encontrei a novidade que acima referi. Neste programa, intitulado “The Ecstatic Faith of Rumi”, a autora e apresentadora do programa, Krista Tippett, fala com Fatemeh Keshavarz-Karamustafa, professora de Persa e literatura comparada na Universidade de St. Louis. Numa entrevista maioritariamente centrada na obra de Rumi, ficamos ainda com uma pequena introdução ao que é a espiritualidade sufi, uma das faces do Islão (infelizmente) menos conhecidas entre nós. A conversa é de vez em quando interrompida por alguns comentários, bem como por excertos da poesia de Rumi na sua lingua original persa, dobrados em inglês pela voz da Prof. Fatemeh Keshavarz. Na página do programa, podemos ainda encontrar um vídeo de um espectáculo de música persa e poesia de Rumi, uma playlist com a musica que se ouve durante o programa, listas de livros e discos, um guia de discussão em pdf acerca de Rumi para ajudar nas “conversas com amigos”, entre outras coisas; tudo com a simplicidade (não com o simplismo) com que poucos como os americanos, colocam o saber à disposição de todos.

De Rumi, não falarei por não saber o suficiente para tal. Fica apenas a frase que coloquei sobre a imagem no início do post, que por si só nos diz muito sobre este autor e o Sufismo. Porquê? É ouvir o programa… Quanto à referida imagem, é uma pintura da primeira metade do Séc. XVIII, do flamengo Jean-Baptiste Van Mour, e representa uma sessão de Sema, a dança dos dervishes rodopiantes da ordem Mevlevi fundada por Jalal ad-Din Rumi. Pode ser encontrada no Rijksmuseum em Amesterdão.

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Casa de Chá

Setembro 5, 2007

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Chambre du thé, é o nome de um pequeno documentário francês de 26 minutos realizado por Julien Peuble. A não perder, é uma daqueles “presentes” que de vez em quando encontramos na rede e nos fazem continuar a “esgravatar” na esperança de haja um próximo.

Em inglês, o filme foi divulgado com o nome de Tea space, literalmente “espaço do chá”. O título deste post, por evidenciar necessáriamente o aspecto de “construção com um determinado fim”, não é portanto quanto a mim uma tradução perfeita, sendo no entanto a correntemente utilizada na nossa lingua. Por curiosidade, o termo japonês para “casa de chá” é chashitsu, tendo shitsu o significado de “quarto”, “câmara”, “aposento”, portanto muito mais próximo das traduções francesa e inglesa.

O filme, de 2003, tem como tema a construção de um destes espaços no jardim de um anexo do Museu Guimet em Paris – o Panthéon bouddhique. Sendo uma oferta do estado japonês à França, toda uma equipa de elementos, desde o arquitecto aos operários, se deslocou do Japão para, de acordo com os processos tradicionais aí construír o chashitsu que, quem for a Paris, pode hoje visitar.

“Reservar tempo para alguém -isto é o Chá”, é uma das primeiras frases que se ouvem no início do filme (take time for somebody – this is tea, segundo a legendagem). Todo o documentário tem por base uma entrevista ao responsável pela construção da casa de chá, o arquitecto Masao Nakamura, que numa linguagem extremamente simples mas muito cativante, e tendo como mote a sua obra em Paris, nos vai falando do mundo do chá no Japão, das suas tradições, da sua espiritualidade, do seu confronto com a modernidade.

Durante todo o filme, as palavras do senhor Nakamura são ilustradas por imagens da construção. Por contraste com a ideia que habitualmente temos de um estaleiro de obras, fica a impressão de que tudo é feito como se não houvesse prazo para acabar, como se todas a peças fossem alvo da mesma atenção, como se o mínimo pormenor na colocação de um seixo pudesse atraiçoar (ou pelo contrário valorizar) todo o trabalho.

Sem nunca mostrar nítidamente imagens da cerimónia do chá (estas aparecem raramente mas veladas, quase como sombras) o filme acaba por nos fazer compreender um pouco do seu mundo. Pode ser visto em formato streaming ou fazer o seu download gratuito, no Internet Archive. Vale ainda a pena consultar o site do filme e o do prórpio Museu Guimet.